Campanha Ceará Antinuclear

Ceará Antinuclear

Campanha Ceará Antinuclear – em defesa da vida, da água e por justiça ambiental!

Você sabia que querem implantar uma mineração de urânio e fosfato no Ceará?

Chamada de “Projeto Santa Quitéria”, ela esconde por trás de seu nome, aparentemente, indefeso a tentativa de explorar a Jazida de Itataia, uma mina de 65,6 milhões de toneladas de minério, localizada entre Itatira e Santa Quitéria, no Sertão Central do Ceará.

O objetivo do empreendimento é produzir 1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) toneladas de derivados fosfatados e 1.600 toneladas de concentrado de urânio por ano para atender aos mercados do agronegócio e da energia nuclear!

Todo esse material pretende ser transportado, por via rodoviária, até o Porto do Mucuripe, em Fortaleza. Para isso, estão previstos quatro carregamentos de urânio por ano, cada um com 25 contêineres de 15 toneladas, mas os municípios que aparecem nessa rota radioativa sequer foram informados sobre o empreendimento.

O Projeto de Mineração de Urânio e Fosfato também prevê utilizar 1 milhão e 100 mil litros de água por hora e, em seus 20 anos de vida útil, além da escassez e da contaminação hídrica, pretende deixar duas pilhas radioativas e uma barragem de rejeitos na região, lixo tóxico que ficará como eterno legado de sua destruição.

No município de Caetité (Bahia), uma mineração como essa já está em operação desde o ano 2000 e é executada pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), a mesma empresa que pretende explorar o urânio no Ceará. Lá, o saldo da mineração pode ser resumido em um quadro infeliz de vazamento de material radioativo, contaminação da água, acidentes de trabalho e desinformação, conforme atestam documentos do IBAMA, do Ministério Público, da Comissão de Pesquisa e Informação Independente sobre Radioatividade (CRIIRAD), da Plataforma Dhesca Brasil, do Greenpeace e da própria INB.

No Ceará, o Projeto Santa Quitéria não está em operação, mas passa por um processo de licenciamento ambiental que tem sido coordenado pelo IBAMA.

Em setembro de 2016, a equipe técnica desse órgão emitiu um Parecer contrário ao empreendimento relatando, entre outras irregularidades, a não comprovação da viabilidade hídrica, a péssima localização das pilhas de rejeitos, a ausência de medidas de mitigação quanto à possível contaminação radioativa das comunidades mais próximas e a falta de autorizações do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear). Desde então, esse Parecer está com a Direção do IBAMA, que, até agora, não se pronunciou.

Diante dos impactos, dos riscos e das irregularidades do Projeto Santa Quitéria; das violações de direitos já causadas pela mineração de urânio em Caetité e da falta de informação da sociedade sobre um empreendimento dessa natureza que pretende se instalar aqui, lançamos a Campanha Ceará Antinuclear – em defesa da vida, da água e por justiça ambiental!

Pela terra, pela água, pelo trabalho digno, por alimentos saudáveis e pela vida das pessoas, dizemos: #Ibama, não licencie!

Para mais informações sobre a mineração de urânio em Caetité, acesse:

https://br.boell.org/sites/default/files/downloads/499_Dhesca_Brasil_-_Missao_Caetite_-_Meio_Ambiente_-_2011.pdf
http://www.criirad.org/mines-uranium/bresil/relatorio-prelim-fiocruz-CRIIRAD-caetite-11-4-2014.pdf
http://www.greenpeace.org/brasil/Global/brasil/report/2008/10/ciclo-do-perigo.pdf


Renovar a esperança, se ajuntar em um grande mutirão…

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Comunidades, agricultores, organizações da sociedade civil e pesquisadores se encontram em Santa Quitéria para refletir, debater e traçar linhas de ação sobre os impactos da mineração no Ceará.

Mariana, em Minas Gerais, teve sua história marcada para sempre com o maior crime ambiental do Brasil. Um rio de lama, uma imensidão de rejeitos de minério que devastou tudo que encontrou pela frente. Lama que afogou a vida dos animais, das plantas e a vida da gente daquele lugar. Vidas matadas e vidas marcadas com um marrom cor de terra que não sai na água. Não importa o quanto lave. Ficará lá, como tatuagem.

Isso não pode ser esquecido, é preciso reverberar cada vez mais. Mariana evidenciou as inúmeras tragédias já ocorridas e não publicizadas e outras tantas que podem ocorrer por todo o país. Vidas ameaçadas todos os dias por um único motivo: o capital em detrimento das pessoas, da biodiversidade, da vida.

Em Santa Quitéria, no sertão do Ceará, a 222 quilômetros de Fortaleza, onde o sol chega cedo e marca presença na pele dos desavisados, a ameaça da mineração é uma constante na vidas das pessoas. Lá, querem explorar fosfato e urânio. Mais uma vez, com o discurso do desenvolvimento a todo custo, como se o convívio com o semiárido já não fosse uma prova mais que prática do verdadeiro desenvolvimento praticado e necessário para a região.

Com o objetivo de articular cada vez mais o povo das comunidades que podem ser atingidas com esse projeto e que já estão sendo impactadas com outras minerações no estado, a Articulação Antinuclear do Ceará realizou sua III Jornada junto ao I Encontro Estadual do Movimento pela Soberania Popular na Mineração, MAM. Gente que se ajuntou para tensionar a não concretização da exploração da Jazida de Itataia, em Santa Quitéria e para estudar, partilhar e pensar estratégias de qualificação do debate e linhas de ação quanto aos impactos da mineração do Estado.

Roda de debates e partilha de saberes

Com a participação de aproximadamente 200 pessoas vindas de vários territórios e mais de dez municípios e um público predominantemente jovem, durante três dias, foram apresentados relatos, estudos e vivências de pesquisadores(as) e comunidades desenvolvidos ao longo dos últimos anos, tanto em Santa Quitéria como em Caetité, na Bahia.

Entre as rodas de conversa, uma análise de conjuntura feita na manhã do primeiro dia por Soraya Tupinambá do “Mandato é tempo de resistência”, Psol, e Antônia Ivaneide (Neném), do MST, ajudou a entender o atual contexto sociopolítico do Brasil. Além disso, foi apresentado um panorama sobre a “questão mineral no Brasil e no Ceará” com Charles Trocate, do MAM nacional; Raquel Rigotto, do Núcleo Tramas/UFC; Francisco Eufrásio, do Assentamento Morrinhos (Santa Quitéria); Cacique Lucélia Pankará, da Aldeia Serrote dos Campos (Itacuruba) e Francisco Pinheiro, do Sindicato dos/as Trabalhadores/as Rurais de Quiterianópolis.

“Eu venho da margem do Rio São Francisco, de uma cidade muito pequena, mas impactada por um projeto tão grande. Há cinco anos estamos na luta e não deixamos acontecer a construção da usina nuclear na nossa comunidade”, partilhou a Cacique Lucélia.

Na manhã do segundo dia de encontro, foi apresentado um painel de pesquisas sobre a ameaça nuclear, abordando dois eixos: “A construção social do risco de contaminação ambiental e humana dos trabalhadores/as da INB e moradores/as do entorno da mina de urânio em Caetité, Bahia”, facilitado pela professora Cláudia de Oliveira, da UFBA, e a “Construção compartilhada de conhecimentos – universidade, territórios e o debate sobre os riscos do Projeto Santa Quitéria”, debatido por Renata Catarina, do Núcleo Tramas/UFC. Houve, ainda, um momento de contextualização do processo de chegada da INB em Caetité e dos processos de resistência construídos pela Articulação Antinuclear Brasileira, espaço apresentado por Zoraide Vilas Boas.

Projeto Santa Quitéria

Proposto pelo Consórcio Santa Quitéria – firmado entre a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a Galvani Indústria, Comércio e Serviços S/A -, o Projeto Santa Quitéria pretende extrair urânio e fosfato da Jazida de Itataia, a maior mina de urânio do Brasil. O objetivo é produzir 1.600 toneladas de concentrado de urânio e 1.050.000 toneladas de derivados fosfatados por ano, destinados à geração de energia nuclear e à fabricação de fertilizantes e ração animal para o agronegócio.

Com 20 anos de vida útil, o projeto pretende transportar o concentrado de urânio através do Porto do Mucuripe (em Fortaleza) e, caso entre em operação, deixará pilhas de rejeito com material radioativo no Sertão Central do Ceará.

Uma das principais ameaças do empreendimento é o consumo intensivo de água, estimado em 911.800 litros por hora. Isso representa um aumento de 400% sobre a demanda do Açude Edson Queiroz, de onde se prevê transportar a água através de uma adutora.


Urucum lança entrevista sobre impactos da mineração de urânio no Brasil

A Articulação Antinuclear do Ceará lançou uma série de entrevistas sobre o impacto da mineração de urânio no Brasil, destacando o caso de Santa Quitéria, município do sertão central cearense. Realizada pelo coletivo Urucum – Direitos Humanos, Comunicação e Justiça com integrantes do Núcleo Tramas – UFC, a reportagem é dividida em três vídeos: 1) O que é o Projeto Santa Quitéria?; 2) EIA/RIMA e licenciamentos e 3) Quais são as alternativas possíveis?

A atividade compõe o projeto Campanha Antimineração no Ceará: em Defesa dos Territórios Camponeses, apoiado pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos no edital de 2015.

  • A energia nuclear é realmente “limpa”? O urânio pode gerar câncer? E o Ceará, o que tem a ver com isso?Impactos da exploração de urânio no Brasil – Parte 1Este é o primeiro vídeo de uma série de três entrevistas do coletivo Urucum – Direitos Humanos, Comunicação e Justiça com o Núcleo Tramas – UFC (Trabalho, Meio Ambiente e Saúde) sobre os impactos da mineração de urânio no Brasil, destacando o caso de Santa Quitéria, município do sertão central cearense. A localidade possui a maior jazida de urânio do país e enfrenta ameaças de contaminação radioativa.

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  • Uma instalação nuclear como a proposta no Projeto Santa Quitéria utiliza, a cada hora, uma média de água equivalente a 115 carros pipa. Em uma região que sofre historicamente com a seca, pergunta-se: esse empreendimento possui viabilidade hídrica? Os estudos de impacto ambiental são suficientes? Há risco de contaminação radioativa da água, como acontece em Caetité (BA)?Impactos da exploração de urânio no Brasil – Parte 2

    Esta é a segunda parte de uma série de três entrevistas realizadas pelo coletivo Urucum – Direitos Humanos, Comunicação e Justiça com o Núcleo Tramas – UFC sobre os impactos da mineração de urânio no Brasil, destacando o caso de Santa Quitéria, município do sertão central cearense.
  • “Com a seca a gente convive, mas a gente não pode conviver com essa mineração de urânio.”
    O discurso das empresas Galvani e INB afirma que o Projeto Santa Quitéria vai gerar “progresso” e “desenvolvimento” para a região. Mas que modelo desenvolvimentista é esse que invisibiliza os modos de vida e de trabalho dos camponeses? Quais são as alternativas possíveis para defender os territórios impactados?Impactos da exploração de urânio no Brasil – parte 3

    Este é o terceiro e último vídeo da entrevista coletivo Urucum – Direitos Humanos, Comunicação e Justiça com o Núcleo Tramas – UFC sobre os impactos da mineração de urânio no Brasil, destacando o caso de Santa Quitéria, município do sertão central cearense.